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Informalidade ‘rouba’ trabalhadores com carteira assinada e agrava falta de mão de obra qualificada

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  • 2 de abril de 2025

Diferença de renda entre formais e informais diminui e atrai trabalhadores que querem flexibilidade de horário e jornada

 Taciano Rocha, motorista de aplicativo, não troca flexibilidade do emprego sem carteira pelo trabalho formal Foto: Pedro Kirilos/Estadão

Se em épocas de crise e de desemprego elevado o trabalho sem carteira assinada era uma espécie de tábua de salvação para o brasileiro garantir alguma renda no final do mês, hoje essa lógica mudou.

Com o desemprego baixo e a economia crescendo, a informalidade está “roubando” trabalhadores do mercado formal e agravando o quadro de escassez de mão de obra qualificada para ocupar vagas com carteira assinada.

“No passado, a informalidade do trabalho estava associada à necessidade”, afirma, Rodolpho Tobler, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Atualmente, porém, a informalidade tem se tornado uma escolha do trabalhador.

Essa alternativa ganhou força com o avanço da tecnologia, especialmente por meio de aplicativos de transporte de passageiros e entrega de mercadorias.

A maior flexibilidade na jornada e nos horários proporcionada pela informalidade, aliada à redução da diferença de renda entre o trabalho sem carteira e o emprego formal, tem sido decisiva para muitos brasileiros que escolhem trabalhar por conta própria.

Diferença de renda diminui e escolaridade cresce

Um estudo feito por Tobler, da FGV, a partir dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que os ganhos de renda dos trabalhadores que estão no mercado de trabalho sem carteira assinada, como Rocha, vem aumentando. Com isso, diminuiu a diferença em relação aos trabalhadores formais.

Em 2015, por exemplo, os empregados com carteira assinada ganhavam, em média, 73% mais do que os sem carteira. No final do ano passado, essa diferença recuou para menos da metade: 31%.

Apesar de a baixa escolaridade ainda predominar entre os trabalhadores sem carteira, esse quadro vem mudando nos últimos 12 anos com o avanço do nível de instrução entre os trabalhadores brasileiros, de maneira geral, observa Tobler.

No entanto, esse movimento de aumento da participação de trabalhadores com maior grau de escolaridade tem ocorrido de forma mais acelerada entre os sem carteira assinada.

No final do ano passado, por exemplo, 54% dos trabalhadores sem carteira tinham ensino médio completo e superior, ante 34% em 2012, uma diferença de 20 pontos porcentuais.

Já no mercado formal de trabalho, o avanço da participação dos trabalhadores com ensino médio completo e superior no mesmo período foi de 15 pontos porcentuais: era 61% em 2012 e subiu para 76% no final de 2024.

O economista pondera que, entre os trabalhadores sem carteira, o grupo com maior qualificação ainda é menor comparado aos trabalhadores formais.

E a vulnerabilidade é maior na informalidade, comparada com o emprego formal, por conta da menor proteção trabalhista e da renda média menor.

Entretanto, Tobler frisa que esse grupo mais qualificado tem crescido mais entre os sem carteira.

“É um sinal de que esses trabalhadores mais qualificados estão em busca da informalidade e também estão encontrando um salário bom ali”, diz o economista da FGV.

A escassez de mão de obra observada em alguns setores da economia, como construção civil e supermercados, por exemplo, decorrem também do fato de existir uma massa de brasileiros que têm qualificações genéricas e conseguem migrar de um tipo de ocupação para outro, observa o economista Bruno Imaizumi, consultoria LCA 4intelligence.

“Alta taxa de informalidade da economia brasileira acaba permitindo essa rotatividade, o que leva à escassez de mão de obra em alguns setores”, afirma o economista.

Riscos

Apesar de o mercado formal de trabalho ter avançado, em dezembro do ano passado, 7 das 27 capitais tinham mais de 50% dos ocupados na informalidade.

No mesmo período, a informalidade respondeu por 38,6% do pessoal ocupado na média do País, segundo o IBGE.

Imaizumi pondera que a informalidade traz riscos para o trabalhador no longo prazo.

Entre eles, o economista aponta a falta de uma aposentadoria, caso o trabalhador não contribua como autônomo ou Microempreendedor Individual (MEI).

Além disso, empregos com carteira assinada tendem a ser mais rentáveis e menos voláteis.

“Tem esses outros benefícios, essas seguranças que o emprego informal não acaba trazendo”.

Pelos critérios usados pelo IBGE, são considerados informais trabalhadores do setor privado sem carteira assinada, trabalhadores domésticos sem carteira assinada, trabalhadores por conta própria sem Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), empregadores sem CNPJ e trabalhadores auxiliares, que são familiares, que nem têm rendimento.

Redação CNPL sobre artigo de Márcia De Chiara / OESP